terça-feira, 11 de setembro de 2012

Lavagem de dinheiro foi ação orquestrada






Brasília - O ministro Joaquim Barbosa, relator do processo do mensalão, afirmou que a lavagem de dinheiro do esquema foi uma ação "orquestrada" dos réus do Banco Rural, em parceria com as empresas de Marcos Valério -apontado como o operador do mensalão. O relator disse também que o publicitário mentiu em juízo para tentar livrar-se da acusação de lavagem.
As afirmações foram feitas ontem (10), em sessão no STF, em Brasília, durante a análise de Barbosa a respeito da acusação de lavagem de dinheiro imputada a dez réus do Banco Rural e das empresas de Valério. As acusações constam do item 4 do processo, que começou a ser analisado ontem. "O acervo probatório, tanto as testemunhas, quanto os documentos juntados, confirma a tese da acusação [de que houve lavagem de dinheiro]" disse o ministro-relator, que citou vários laudos periciais para demonstrar sua tese, de que o banco cometeu uma série de irregularidades em "ações orquestradas."
Segundo Barbosa, "Marcos Valério mentiu em seu interrogatório" quando se defendeu da acusação de lavagem de dinheiro. "É interessante observar que ele muda de versão conforme as circunstâncias", disse o ministro.
De acordo com Roberto Delmanto Junior, advogado criminalista e conselheiro da OAB-SP, a colocação de Barbosa "abre um precedente bastante delicado, que se choca com a Constituição".
"No Brasil, os réus podem silenciar e, se falarem, não têm o dever de dizer a verdade; não cometem perjúrio, ao contrário do que ocorre nos EUA", afirmou o advogado.
3ª FATIA - Nesta "terceira fatia" do julgamento, serão novamente julgados os réus do núcleo financeiro do Banco Rural: Kátia Rabello, ex-presidente; José Roberto Salgado, ex-vice-presidente operacional; Ayanna Tenório, ex-vice-presidente; e Vinícius Samarane, ex-diretor e atual vice-presidente da instituição.
Além deles, o item inclui ainda Marcos Valério, seus ex-sócios, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e Rogério Tolentino; Geiza Dias, gerente financeira da agência SMP&B, de Valério; e Simone Vasconcellos, diretora financeira da SMP&B.
O ministro Joaquim Barbosa abordou o que a Procuradoria Geral da República chamou de "sofisticado mecanismo de branqueamento de capitais" montado pela cúpula do Banco Rural partir de 2003, para dissimular a transferência de recursos que passariam por Valério, seus sócios e funcionários e que seriam distribuídos a parlamentares em troca de apoio político ao governo do então presidente Lula.
  

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